quinta-feira, 25 de junho de 2020

Pesquisa de BAAR no escarro, porque precisa ser em jejum ?

 
A tuberculose é uma doença infecciosa que acomete, geralmente, os pulmões, mas pode ocorrer em qualquer outro órgão ou ainda se desenvolver ao mesmo tempo, em vários órgãos do corpo humano,como nos rins, fígado, osso, pericárdio, pleura, pele e gânglios. A designação tuberculose veio do fato de a doença provocar lesões nodulares firmes denominadas de tubérculos, nos tecidos em que se desenvolve. A tuberculose é causada por cinco espécies de bactérias pertencentes ao gênero Mycobacterium: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. microti e M. canetti. Essas espécies estão agrupadas e definidas como "complexo M.tuberculosis". No Brasil, quase todos os casos têm como agente etiológico o M.tuberculosis conhecido como bacilo de Koch (BK) e, muito raramente, a tuberculose tem sido relacionada ao M. bovis. As espécies M.africanum, M. microti e M.canetti , têm sido identificadas em outras partes do mundo. A pesquisa bacteriológica é o método prioritário, quer para o diagnóstico, quer para o controle do tratamento da tuberculose (TB), além de permitir a identificação da principal fonte de transmissão da infecção: o paciente bacilífero. E, um melhor rendimento diagnóstico está associado aos cuidados com a coleta, especialmente a qualidade e o volume. 
A sensibilidade da pesquisa de BAAR no escarro com amostras sucessivas é de 83,4% na primeira amostra, com acréscimo de 12,2% na segunda e 4,4% na terceira, por esse motivo a coleta da terceira amostra está em desuso ha muito tempo devido a baixíssima sensibilidade quando as duas primeiras forem negativas. A coleta em jejum é sim obrigatória, no ponto de vista laboratorial, já que resíduo alimentar rico em lilpídio pode causar um resultado falso positivo no momento da coloração e visualização microscópica devido a parede celular do bacilo ser constituída principalmente por grandes quantidades de lipídios. Os ácidos micólicos, que são componentes dos lipídios, retêm corantes e são responsáveis pela propriedade da álcool-ácido resistente.

Fonte: Agência Brasil, Biblioteca Virtual em Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, TELE-LAB

Comentando: Nós, profissionais de laboratório trabalhamos com a qualidade da amostra e não com a quantidade, portanto a pesquisa de BAAR no escarro sempre será feita em jejum por mais alta que a ansiedade do solicitante do exame seja. É melhor realizar o exame com serenidade do que solicitar nova amostra e ter o trabalho dobrado. Vale lembrar que: A tuberculose é uma doença grave e está entre as 10 causas de morte no mundo: são 10 milhões de casos por ano e mais de 1 milhão de óbitos. No Brasil, em 2019, foram registrados 73.864 mil casos novos da doença. A taxa de mortalidade caiu cerca de 8% na última década. Foram 4.881 mortes em 2008, contra 4.490 em 2018.

sábado, 20 de junho de 2020

Os Testes Rápidos são eficazes ?


Os testes rápidos, criados na década de 80, muito falado hoje em dia já existem há muito tempo na Medicina Laboratorial. Esses utilizam a imunocromatografia como método e na verdade deveria ser solicitado em requisições médicas com essa nomenclatura, já que o leigo não consegue entender a grande rotina no laboratório e passa exigir rapidez porque o Teste é Rápido. Na verdade a execução é bem simples, a demora acontece pela carga excessiva no setor de Análises Clínicas. Doenças como AIDS, Hepatite, Sífilis, Dengue e Chikungunya podem ser diagnosticada com a ajuda desses testes. Muitos brasileiros estão fazendo ou buscando fazer testes rápidos para detectar doenças, como por exemplo a presença do novo coronavírus. Boa parte desses testes (Teste Rápido para Covid-19) usam apenas uma amostra de sangue e detectam anticorpos (IgM e IgG) como forma de identificar quem já teve contato com o vírus. O problema é que eles não servem para dizer se a pessoa está ou não doente. Apenas revelam que teve contato com o vírus. Anticorpos só dizem se a pessoa teve contato com o vírus, e se esse contato foi recente (quando aparece o anticorpo IgM) ou se foi há mais tempo (anticorpo IgG). Um dos problemas é que se o paciente testar negativo para os anticorpos ele é liberado, mas na verdade pode estar com o vírus ativo. Só que ainda não tem anticorpos suficientes para o teste notar. Ao imaginar que não tem Covid-19, o cidadão sente-se seguro, pára de usar máscara e segue vida normal, colocando em risco quem tiver contato com ele.

Fonte: http://www.sbac.org.br/blog/2020/04/02/teste-rapido-da-covid-19-falsos-negativos/
https://www.ictq.com.br/varejo-farmaceutico/1461-covid-19-por-que-o-teste-rapido-da-farmacia-vai-dar-errado
http://www.cremerdiagnostica.com.br/blog/como-e-realizado-o-diagnostico-por-testes-rapidos/

Comentando: Segundo uma Infectologista seguem muitas divergências, há baixa sensibilidade de 32% indo contra a afirmação de 86% do fabricante Chinês dos testes doados para o Brasil, ou seja, o teste não é 100% confiável, muito mais seguro é ainda a realização de exame molecular (método pelo PCR - Swab naso e orofaringeo)

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Receituário Médico legível é obrigatório

Talvez uma das coisas que mais irrita o profissional de laboratório na sua rotina de trabalho, a péssima letra do requisitante do exame. Muitas cidades já aderiram a informatização nos atendimentos médicos para tentar freiar essa prática, porém ainda existe muitos lugares que não se modernizaram. Esse ato é condenável e até proibido por lei e pelo Código de Ética Médica tanto nos Conselhos Regionais como no próprio CFM. Na Câmara Municipal de Vinhedo em SP, há um projeto do Vereador Thiago Carandina (PDT) que tramita e na sua integralidade torna obrigatório a prescrição de receitas por Médicos e Odontólogos através de letra de forma ou datilografadas. “Não são raras as confusões com os nomes dos medicamentos no balcão da farmácia, seja por prescrições ilegíveis, nomes errados de medicamentos ou até mesmo rasuras feitas pelos próprios pacientes.O mais grave dessa situação é que uma má compreensão do medicamento prescrito pode acarretar sequelas graves e até mesmo óbito do paciente”, justifica o autor. De acordo com a Klas Research, empresa de pesquisas voltadas para área da saúde e tecnologia, 39% dos erros médicos associados à medicação acontece no momento da prescrição. Outro dado da Klas evidencia que 8% dos erros relacionados à medicação ocorrem pela incompreensão da grafia do médico prescrita no receituário. A legibilidade das receitas é obrigatória desde 1973, através da lei Federal n.º 5.991, que diz, no artigo 35, alínea A, que somente será aviada a receita que estiver escrita de modo legível. Além de infringir uma lei federal, ao escrever de forma ilegível fere também o Código de Ética Médica. O capítulo III, artigo 11, veda ao médico "receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível" e também o Regulamento Técnico de Funcionamento ANVISA RDC 302:2005, 6-Processos Operacionais: item 6.1.2.1 e 6.1.4.

Fonte:  https://www.camaravinhedo.sp.gov.br/2020/obrigatoriedade-do-uso-de-letra-legivel-nas-receitas-medicas-e-tema-de-projeto-de-lei/ 

Comentando: Infelizmente estamos muito longe de alcançar esse padrão em excelência de trabalho, não há força e coragem para exigir desses profissionais que mudem a sua forma de trabalhar, mesmo que seja em benefício de todos. Diante disso, profissionais de laboratório continuarão subscrevendo requisições e preenchendo campos obrigatórios como idade, peso e altura, onde essas atribuições não são tarefas obrigatórias da categoria.